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Asma Bronquica

Revisão Anatomo-fisiológica do Sistema Respiratório

Introdução

“A respiração é necessária porque todas as células vivas do organismo necessitam de oxigénio e produzem dióxido de carbono.”. (Seeley, R. , entre outros, pág. 786)
Assim, “as funções do sistema respiratório são: prover o oxigénio necessário ao metabolismo das células e remover um dos materiais desse metabolismo, que é o gás carbônico. Isto implica num processo de respiração externa, absorção de O2 e remoção de CO2 dos pulmões, e respiração interna, troca gasosa entre as células e seu meio líquido.”. (Jacob, Francone e Lossow, pág. 378)

Aparelho Respiratório – Estruturas e Músculos

O aparelho respiratório é constituído pelos pulmões e por um conjunto de órgãos – vias aéreas (cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, árvore brônquica , até chegar ao alvéolo). (Ribeiro, A. et all, 2004)

O pulmão é um órgão par, constituído por tecido epitelial simples pavimentoso e protegido pela grelha costal. O pulmão direito encontra-se subdividido em três lobos pulmonares (superior, médio e inferior), enquanto o pulmão esquerdo somente em dois lobos (superior e inferior). Este último é mais pequeno que o direito e apresenta uma chanfradura o que lhe permite acomodar-se ao coração. Cada pulmão é envolvido por uma membrana – pleura – que é constituída por dois folhetos: folheto visceral (adere à face interna dos pulmões) e folheto parietal (adere à grelha costal e face superior do diafragma). Neste órgão realiza-se o fenómeno da hematose, que consiste na transformação de sangue venoso em sangue arterial. (Ribeiro, A. et all, 2004)

As vias aéreas permitem o movimento do ar entre o exterior e o interior dos pulmões, formando o trato respiratório. (Ribeiro, A. et all, 2004)
Os alvéolos são pequenos sacos membranosos dispostos em torno do mesmo ducto alveolar, onde ocorrem preferencialmente as trocas gasosas. A sua parede é composta por uma única camada de células de tecido epitelial escamoso apoiadas numa membrana basal. (Ribeiro, A. et all, 2004).

 Tendo em conta o aspecto funcional, o aparelho respiratório divide-se em duas zonas (Ribeiro, A. et all, 2004):

  1. Zona condutora – Correspondente às vias aéreas, possibilita a passagem do ar inspirado até aos alvéolos e a condução do ar expirado até à atmosfera. Tem como funções secundárias a purificação, humedecimento e aquecimento do ar inspirado, estando também envolvida na produção de sons. A climatização é conseguida pelo contacto do ar com a mucosa das fossas nasais, que apresentam uma elevada irrigação sanguínea superficial.
  2. Zona de trocas – Integra os bronquíolos, o ducto alveolar e os alvéolos. As trocas gasosas são efectuadas através de uma membrana respiratória, que engloba as paredes alveolar e capilar e respectivas membranas basais, separadas por fluido intersticial.

Relativamente aos músculos que intervêm na respiração temos os músculos inspiratórios e os músculos expiratórios. Os músculos inspiratórios principais são o diafragma, os intercostais externos e os supracostais; os inspiratórios acessórios são os escalenos, o esternocleidomastóideu, o grande peitoral e o serretos posterior. Os músculos expiratórios só actuam na expiração forçada e são os intercostais internos, o recto abdominal, os oblíquos abdominais interno e externo, e o quadrado lombar. (Ribeiro, A. et all, 2004)
Os músculos da ventilação diferem dos outros músculos esqueléticos em três aspectos fundamentais:

  1. Contraem ritmicamente e intermitentemente durante toda a vida;
  2. O controlo dos músculos pode ser voluntário ou involuntário;
  3. Trabalham inicialmente contra cargas resistivas elásticas (parede torácica e pulmões) e das vias respiratórias, e não contra as forças gravitacionais encontradas pela maioria dos outros músculos esqueléticos.
Ventilação pulmonar

A ventilação pulmonar é o processo pelo qual o ar entra e sai dos pulmões. A ventilação pulmonar é constituída por duas fases: inspiração e expiração. (Ribeiro, A. et all, 2004)

A inspiração é um fenómeno activo dependente da contracção muscular, controlado pelo sistema nervoso central. “Quando o diafragma se contrai, ele abaixa e alonga a cavidade torácica. A contracção dos músculos intercostais externos levanta as costelas na borda esternal. Essa acção força o esterno para fora, aumentando o diâmetro ântero-posterior do tórax. Além disso, à medida que as costelas se movem para cima (...) o diâmetro lateral do tórax aumenta. Quando o tórax se alarga, o colabamento das pleuras visceral e parietal causa a expansão de ambas as camadas, alargando assim os pulmões. Isso reduz a pressão dentro deles (pressão intrapulmonar). A redução na pressão intrapulmonar causa a entrada de ar nos pulmões. Ao final da inspiração, a pressão entre os pulmões e a atmosfera está equalizada.”. (Jacob, Francone e Lossow, pág. 388)

A expiração é um fenómeno passivo de armazenamento de energia elástica durante a inspiração que ocorre à medida que o diafragma e os músculos intercostais externos relaxam. “A cavidade torácica retorna ao seu tamanho de repouso e os pulmões retraem-se. (...) a tensão superficial do líquido que cobre os alvéolos causa uma tendência contínua à contracção dos mesmos, respondendo por cerca da metade a dois terços da retracção elástica pulmonar. A tensão das fibras elásticas é responsável pelo restante. A contracção dos pulmões aumenta a pressão intrapulmonar (...), forçando o ar para fora dos pulmões. No final da expiração a pressão entre os pulmões e a atmosfera está equalizada.”. (Jacob, Francone e Lossow, pág. 388
No processo da respiração também é possível existir uma respiração profunda, que consiste numa inspiração e expiração forçadas. (Ribeiro, A. et all, 2004)

A inspiração forçada requer não só contracções mais fortes dos músculos inspiratórios como também a acção dos músculos inspiratórios acessórios (principalmente o esternocleidomastóideu que levanta o manúbrio e os escalenos que levantam as duas primeiras costelas).

A expiração forçada é um processo activo que requer a contracção dos músculos abdominais provocando a elevação do diafragma e também a contracção dos intercostais internos reduzindo o diâmetro do tórax.

Mecanismo do Diafragma: Sinergia com os Antagonistas

“O diafragma é uma grande cúpula de músculo esquelético que separa a cavidade torácica da abdominal. (...) Quando o diafragma se contrai a sua cúpula achata, aumentando o volume das cavidades torácica e pleural.”. (Seeley, R. , entre outros, pág. 794)
Assim sendo, o diafragma é o principal músculo inspirador e o responsável pelas maiores variações dos diâmetros vertical, horizontal e antero-posterior da caixa torácica. (Ribeiro, A. et all, 2004)
O mecanismo do diafragma tem dois momentos. Num primeiro momento a coluna lombar e as últimas costelas são usadas como ponto fixo e a contracção do diafragma faz baixar o centro frénico, que por sua vez apoia-se nas vísceras abdominais terminando assim o primeiro momento e havendo um aumento do diâmetro vertical do tórax. Num segundo momento, ocorre o aumento do diâmetro transversal e antero-posterior. Existe um apoio do centro frénico nas vísceras permitindo a elevação das costelas. (Settineri, 1998)
A sinergia do diafragma com os abdominais é essencial à eficiência da ventilação, uma vez que quando o diafragma baixa ocorre um deslocamento para fora da parede abdominal e é exactamente a contracção dos abdominais que não permite a saída das vísceras, provocando a fixação do centro frénico. (Ribeiro, A. et all, 2004)

Fig.: Movimento diafragmático Abdominal Fig.: Diafragma – Porção










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