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Asma Bronquica

Classificação

A classificação etiológica ou anatomopatológica da doença é difícil, entretanto, tradicionalmente a asma é dividida em duas categorias principais, baseadas na presença ou ausência de um distúrbio imune subjacente (Nunes, L., 2003):

  1. Asma Extrínseca (Forma Alérgica): o episódio asmático é iniciado por uma reacção de hipersensibilidade tipo I  (imediata) induzida por exposição a um antígeno extrínseco inalado. São reconhecidos três tipos de asma extrínseca: asma ocupacional, aspergilose broncopulmonar alérgica (colonização brônquica por organismos Aspergillus seguida pelo desenvolvimento de anticorpos imunoglubina E [IgE]), e asma atópica (tipo mais comum; tem início geralmente nas duas primeiras décadas de vida, e comummente está associada a outras manifestações alérgicas no paciente, bem como noutros membros da família).  
  2. Asma Intrínseca: os mecanismos de deflagração são não-imunes. Como tal, vários estímulos podem iniciar um broncoespasmo, incluindo a aspirina, infecções pulmonares (principalmente as causadas por vírus), frio, stress psicológico, exercício e irritantes inalados como dióxido de enxofre. Contudo, deve ser enfatizado que, devido à hiper-reactividade traqueobrônquica inerente, um indivíduo com asma extrínseca também é susceptível ao desenvolvimento de uma crise asmática quando exposta a um dos agentes mencionados. Assim, em vários casos não é possível uma distinção pura entre asma intrínseca e extrínseca.
Hipersensibilidade

É a ocorrência de uma resposta imune, de forma inapropriada ou exagerada. Podem ser provocadas por vários tipos de antigénios e a sua causa varia de indivíduo para indivíduo. A hipersensibilidade não se manifesta no primeiro contacto com o antigénio, para que tal aconteça é necessário haver primeiro sensibilização. (Kumar, V., 1994)

Hipersensibilidade Tipo I

Ocorrem quando uma resposta imune mediada por IgE é dirigida contra antigénios ambientais, como por exemplo os ácaros, pó doméstico, pólens e pêlos de animais. (Kumar, V., 1994)
Os mastócitos ligam-se à IgE. A ligação subsequente a um alergeneo induz desgranulação dos mastócitos e libertação de mediadores que produzem reacções alérgicas. (Kumar, V., 1994)

A asma também pode ser classificada segundo a sua gravidade, tal como mostra o seguinte quadro (Nunes, L., 2003):

Graus

Sintomas

Sintomas Nocturnos

DEMI

1 - Intermitente

< 1 vez / semana ou assintomático;
DEMI
normal entre as crises.

≤ 2x mês

≥ 80% do previsto
Variabilidade < 20%

2 - Ligeira persistente

≥ 1x / semana.

> 2x / mês

≥ 80% do previsto
Variabilidade 20-30%

3 - Moderada persistente

Diários;
Usa Broncodilatadores de curta
acção diariamente; Crises
afectam actividade.

> 1x / semana

≥ 60% - < 80% do previsto
Variabilidade >30%

4 - Grave

Constantes;
Actividade
física limitada

Frequentes
(quase diários)

≤ 60% do previsto
Variabilidade >30%

Tabela – Classificação da asma segundo a sua gravidade.

O paciente com asma pode medir o grau de obstrução das vias aéreas, e dessa forma medir o grau dos seus sintomas, auxiliando o médico no tratamento. Uma medida fácil de medir a obstrução das vias aéreas é através de um aparelho chamado PFE (pico de fluxo expiratório). Relacionado com este aparelho, existe uma tabela com os valores considerados normais para a idade e altura do paciente, mas o ideal é descobrir qual o valor normal de cada um. Para tal, recomenda-se o cálculo de uma média resultante dos valores obtidos pelo PFE durante 20 dias (com medições realizadas de manhã e á noite).


 
Fig. – PFE (pico de fluxo expiratório)

Para além de existir uma classificação para a doença a diversos níveis, também existe uma forma prática e simples de classificar as crises de asma. Assim, a classificação faz-se em: crises leves, moderadas e severas.

Crise Leve
  • Sensação de aperto no peito;
  • Fadiga leve;
  • Síbilos ou tosse quando ri ou faz pequenos esforços;
  • Alteração discreta do PFE (> 80% do esperado).
Crise Moderada
  • Desconforto perceptível na respiração;
  • Fadiga com esforços moderados;
  • Aumento da frequência respiratória;
  • Dispnéia;
  • Síbilos;
  • PFE entre 50 a 80% do valor normal do paciente.
Crise Severa
  • Intenso desconforto na respiração;
  • Taquipnéia;
  • Frequência respiratória elevada;
  • Dispnéia intensa;
  • Aumento do suor;
  • Pele apresenta-se fria;
  • Fadiga com actividades da vida diária (falar, caminhar, comer);
  • Tosse muito intensa e frequente;
  • Nariz apresenta-se bem aberto e observa-se o batimento das “asas” nasais;
  • Uso dos músculos acessórios da inspiração;
  • Cianose (notável nos lábios e unhas);
  • PFE abaixo do valor normal do paciente.










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